Às margens da Baía da Babitonga no litoral norte de Santa Catarina, São Francisco do Sul carrega o título de cidade mais antiga do estado e terceira mais antiga do Brasil. Com 56.726 habitantes segundo estimativa 2025 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município preserva mais de 400 imóveis tombados pelo IPHAN formando um dos conjuntos arquitetônicos coloniais mais preservados do país. Mas São Chico, como carinhosamente é conhecida, não vive apenas do passado: suas 17 praias distribuídas por toda a ilha atraem milhares de turistas anualmente, com quatro delas certificadas com Bandeira Azul, selo internacional de qualidade ambiental, segundo o portal Santa Catarina Turismo.
Descoberta em 1504 por expedição francesa, a ocupação europeia efetiva começou em 1553, quando portugueses e açorianos estabeleceram ali um dos maiores núcleos coloniais do Sul do Brasil. Declarada vila em 1641 e elevada à categoria de cidade em 1847, São Francisco do Sul desenvolveu-se ao redor do quinto maior porto do Brasil em movimentação de contêineres, equilibrando economia portuária com vocação turística que quadruplica a população durante o verão.
Centro Histórico: viagem ao Brasil colonial
O Centro Histórico de São Francisco do Sul reúne mais de 400 imóveis tombados pelo IP HAN, formando cenário cinematográfico de ruas de paralelepípedo, casarões coloridos com enormes portas e arquitetura açoriana intacta. Trata-se de um dos mais importantes conjuntos arquitetônicos luso-brasileiros preservados no país, transportando visitantes ao Brasil do século XVII.
As casas coloniais apresentam características típicas da ocupação portuguesa: construções simples sem ornamentos, paredes brancas com requadros coloridos, telhados inclinados, bal
aústres e lambrequins que indicam também presença de povos germânicos na região. Muitos casarões foram transformados em comércios, restaurantes, museus e galerias, permitindo que visitantes entrem e conheçam por dentro a arquitetura preservada.
Uma tarde inteira não é suficiente para perambular pela região admirando fachadas, entrando em lojinhas de artesanato, parando em cafés charmosos e fotografando cada esquina que revela nova perspectiva desse patrimônio histórico vivo. O melhor horário para visitação é pela manhã ou no fim de tarde, quando a luz dourada realça as cores pastel dos casarões.
Igreja Matriz Nossa Senhora da Graça: a mais antiga de SC
Construída em 1658 (e fundada originalmente como capela de palha em 1553), a Igreja Matriz Nossa Senhora da Graça é a igreja mais antiga de Santa Catarina e a quinta mais antiga do Brasil. Localizada na Praça Getúlio Vargas, 130, no coração do Centro Histórico, representa marco religioso e arquitetônico fundamental para compreensão da colonização catarinense.
A igreja abriga o Museu de Arte Sacra Padre Antônio Nóbrega, instalado em dependência lateral, que preserva aproximadamente 800 peças em seu acervo: vestimentas litúrgicas, objetos de culto, imagens sacras, fotografias e documentos que contam história religiosa da região desde os primeiros colonizadores.
A simplicidade arquitetônica externa contrasta com a riqueza histórica interna, onde altares barrocos, pinturas sacras e objetos centenários revelam camadas de fé e devoção acumuladas ao longo de quase quatro séculos de existência contínua.
Museu Nacional do Mar: maior acervo de embarcações da América Latina
Situado às margens da Baía da Babitonga, o Museu Nacional do Mar consolida-se como o mais importante museu náutico da América Latina e um dos mais variados do mundo. O acervo impressionante reúne mais de 250 estilos de embarcações brasileiras, incluindo canoas, jangadas, saveiros, traineiras e barcos de pesca tradicionais que ilustram evolução da indústria naval brasileira.
Entre as atrações principais está a embarcação que Amyr Klink usou para atravessar o Oceano Atlântico, exposta com detalhes sobre a expedição histórica. O museu apresenta também instrumentos náuticos, apetrechos de bordo, maquetes detalhadas e exposições interativas que educam sobre navegação, pesca artesanal e relação ancestral dos brasileiros com o mar.
Localização: Rua Manuel Lourenço de Andrade, 133 – Centro Histórico Horário: Terça a sexta das 9h às 18h | Sábados e domingos das 10h às 18h Ingresso: R$ 5,00
A maquete do centro histórico exposta no museu é considerada uma das mais belas e detalhadas, oferecendo perspectiva única da ocupação urbana colonial.
Museu Histórico Municipal: da cadeia ao acervo cultural
Construído no fim do século XVIII, o prédio do Museu Histórico de São Francisco do Sul já serviu como Câmara dos Vereadores e Cadeia Pública antes de ser transformado em espaço cultural. Inaugurado em 1914 e reinaugurado em 1985, o museu preserva mais de 1.000 peças que contam trajetória da cidade através de móveis de época, mapas antigos, objetos cotidianos, fotografias e documentos históricos.
O acervo foi majoritariamente doado pela comunidade francisquense (como são chamados os moradores locais), criando conexão emocional entre visitantes e história exposta. Caminhar pelas salas que outrora funcionavam como celas prisionais adiciona camada extra de dramaticidade à experiência museológica.
Localização: R. Cel. Carvalho, 1 – Centro Horário: Terça a sexta das 8h às 18h | Sábados, domingos e feriados das 11h às 18h Ingresso: R$ 3,00 (adultos) | Gratuito para idosos e crianças até 12 anos
Forte Marechal Luz: sentinela da Babitonga
Estrategicamente posicionado para defender a entrada da Baía da Babitonga, o Forte Marechal Luz preserva estrutura militar histórica e oferece vistas espetaculares da baía e ilhas vizinhas. Embora classificado como visitação cultural, o forte surpreende pela paisagem natural que se descortina de seus mirantes, combinando história militar com beleza cênica.
A estrutura mantém canhões originais, muralhas preservadas e dependências que revelam cotidiano dos soldados que guardavam estratégico ponto de acesso ao porto. Painéis informativos explicam importância defensiva do forte e principais eventos históricos ali ocorridos.
17 praias para todos os perfis
São Francisco do Sul oferece praias que atendem desde famílias com crianças pequenas até surfistas em busca de ondas consistentes. Quatro delas ostentam o prestigiado selo Bandeira Azul, reconhecimento internacional de qualidade da água, infraestrutura, segurança e educação ambiental.
Praia da Enseada
Com mar calmo, águas rasas e areia clarinha, é a mais estruturada e familiar de São Francisco. Possui mirante no alto do morro com vista completa e espetacular de toda a orla. Durante alta temporada, quiosques, restaurantes e barracas garantem conforto para permanência prolongada na areia.
Prainha (ou Praia da Saudade)
Point dos surfistas, apresenta mar mais bravo e é considerada um dos melhores picos para surf do litoral norte catarinense. Tem posto de guarda-vidas funcionando o ano inteiro. À noite, bares e restaurantes oferecem shows de diferentes gêneros musicais, transformando a Prainha em centro da vida noturna franciscquense.
Praia de Ubatuba
Com aproximadamente 3 km de extensão, oferece águas tranquilas e cristalinas ideais para banho prolongado. É uma das mais procuradas por veranistas graças à boa infraestrutura com restaurantes, quiosques e serviços consolidados. Certificada com Bandeira Azul.
Praia Grande
A mais preservada de São Francisco, localiza-se a 20 km do centro e estende-se por impressionantes 17 km até a Praia do Ervino. Praticamente deserta, apresenta ondas fortíssimas e vasta vegetação nativa, sendo ideal para quem busca isolamento total e contato genuíno com natureza intocada.
Praia do Ervino
Localizada ao sul da ilha a 25 km do centro histórico, combina boa infraestrutura com paisagem encantadora. Menos movimentada que Ubatuba, atrai famílias em busca de sossego sem abrir mão de serviços básicos.
Praia do Forte
Situada a 19 km do centro entre o Balneário de Capri e a Praia de Itaguaçu, oferece cenário agreste cercado por vegetação preservada. Ondas moderadas atraem banhistas e surfistas iniciantes.
Praia de Itaguaçu
Certificada com Bandeira Azul, apresenta infraestrutura consolidada e ambiente familiar tranquilo, sendo predileta de quem busca qualidade ambiental internacional comprovada.
Outras praias
Praia da Figueira, Praia do Capri, Praia Barra do Sul e demais faixas completam o mosaico litorâneo, cada uma com características de ondas, vegetação e nível de preservação que atendem nichos específicos de visitantes.
Baía da Babitonga: maior baía navegável de SC
A Baía da Babitonga, maior baía navegável de Santa Catarina, oferece experiências marinhas inesquecíveis. Passeios de barco, lancha, veleiro e canoa revelam perspectivas diferentes da cidade histórica, ilhas, manguezais e biodiversidade marinha.
Durante as navegações, frequentemente avistam-se botos-cinza, tartarugas marinhas e, com sorte, toninhas (menor golfinho do mundo, criticamente ameaçado). Operadoras oferecem saídas regulares com paradas para mergulho, observação de fauna e refeições a bordo em restaurantes flutuantes.
A melhor vista do centro histórico acontece justamente do mar, quando casarões coloridos e igreja centenária compõem panorama majestoso refletido nas águas calmas da baía. Passeios ao entardecer são especialmente românticos, com pôr do sol tingindo o céu e as construções históricas de tons dourados.
Vila da Glória: distrito rural preservado
A poucos quilômetros do centro, a Vila da Glória oferece experiência de turismo rural autêntico. Com casarios coloniais menores mas igualmente preservados, apresenta atmosfera bucólica onde o tempo parece ter parado. Trilhas ecológicas partem da vila conectando morros, mirantes e áreas de Mata Atlântica preservada.
O distrito abriga pequenos produtores rurais que vendem produtos artesanais, mel orgânico, cachaças e conservas caseiras. É destino perfeito para quem busca contato com cotidiano tradicional longe da agitação urbana.
Gastronomia: frutos do mar e tradição açoriana
São Francisco do Sul mantém forte tradição pesqueira refletida na gastronomia. Restaurantes especializados em frutos do mar servem peixes fresquíssimos, camarões, lagostas, siris e ostras preparados de múltiplas formas: grelhados, fritos, ensopados, moquecas e caldeiradas.
O Restaurante do Rui, com estilo simples mas autêntico, é indicado para quem quer comer bem sem gastar muito, servindo porções generosas de peixe fresco com acompanhamentos tradicionais. Estabelecimentos mais sofisticados à beira da baía oferecem jantares românticos com vista privilegiada e carta de vinhos selecionada.
A culinária açoriana permanece viva em pratos como pirão de peixe, tainha na tábua e doces típicos portugueses servidos em cafés do centro histórico. Durante festividades tradicionais, a gastronomia ganha destaque com feiras gastronômicas celebrando receitas centenárias.
Posto Texaco histórico: relíquia dos anos 1930
Entre curiosidades turísticas, o Posto Texaco de 1937 figura como mais antigo posto de combustíveis de Santa Catarina e quinto mais antigo da rede Texaco no Brasil. Preservado com arquitetura original, bombas antigas e sinalização vintage, funciona como museu vivo da história automobilística brasileira, atraindo colecionadores e entusiastas de carros antigos.
Infraestrutura e acessos facilitados
São Francisco do Sul localiza-se a 50 km de Joinville, 180 km de Curitiba e 195 km de Florianópolis. O acesso principal ocorre pela BR-101 seguida pela BR-280 (trecho de 33 km atualmente em duplicação). A ilha conecta-se ao continente através de aterro e pequena ponte sobre o Canal do Linguado.
O Aeroporto Lauro Carneiro de Loyola em Joinville é o mais próximo, permitindo chegada aérea seguida por aluguel de carro — opção recomendada para explorar as múltiplas praias e atrações afastadas do centro. Empresas de ônibus como Viação Verdes Mares operam linhas regulares partindo de Joinville.
Ferry Boat conecta São Francisco do Sul com Joinville e Itapoá, oferecendo alternativa marítima pitoresca para quem não tem pressa e deseja experiência de travessia pela baía.
A rede de hospedagem atende todos os perfis, desde campings até estabelecimentos com boa estrutura, sempre sem mencionar nomes específicos para não competir com anunciantes locais.
Quando visitar e o que esperar
O verão (dezembro a março) atrai multidões, com a população quadruplicando para mais de 160 mil pessoas. Praias ficam lotadas, especialmente nos feriados e fins de semana de janeiro e fevereiro. Temperaturas alcançam 30°C e ambiente ganha energia vibrante de cidade praiana em alta temporada.
Os meses de abril, maio, outubro e novembro oferecem equilíbrio perfeito: clima ainda agradável para praia (22°C a 27°C), menor movimento, preços mais acessíveis e centro histórico mais tranquilo para visitação sem multidões.
O inverno (junho a agosto) transforma São Francisco em cidade histórica focada em turismo cultural. Temperaturas entre 15°C e 22°C permitem caminhadas prolongadas pelo centro, visitação aos museus e experiências gastronômicas em ambiente acolhedor. É época favorita de quem prioriza história sobre praia.
Por que conhecer São Francisco do Sul
- Cidade mais antiga de SC: Fundada em 1504, terceira mais antiga do Brasil, com mais de 500 anos de história preservada.
- Patrimônio tombado excepcional: Mais de 400 imóveis coloniais protegidos pelo IPHAN formando conjunto arquitetônico único no Sul.
- Museu de classe mundial: Maior acervo náutico da América Latina com 250+ embarcações e barco de Amyr Klink.
- Diversidade de praias: 17 praias com perfis distintos, sendo 4 certificadas com selo Bandeira Azul internacional.
- Igreja centenária: Matriz de 1658, mais antiga de Santa Catarina e quinta do Brasil, com museu de arte sacra.
- Baía navegável gigante: Maior de SC, ideal para passeios de barco, observação de fauna marinha e vistas do centro histórico.
- Proximidade estratégica: A 50 km de Joinville e integrada a roteiros do litoral norte, facilitando combinações com outros destinos.
- Autenticidade preservada: Cidade que equilibra economia portuária com turismo consciente, mantendo tradições vivas e hospitalidade genuína.
Para quem busca destino onde história colonial viva, praias certificadas internacionalmente, gastronomia autêntica e patrimônio tombado se encontram harmoniosamente, São Francisco do Sul representa a essência do litoral catarinense: antiga, preservada e absolutamente fascinante.









